O que é uma Matriz CSD e como usá-la nos seus projetos?
7 de julho de 2025Por Bianca Guimaraens (LinkedIn, abre em nova aba)
A Matriz CSD, idealizada pelo brasileiro Luis Alt, especialista em Design de Serviços, é uma framework (estrutura) poderosa para o mapeamento e gerenciamento do conhecimento em projetos UX. Sua sigla significa “Certezas, Suposições e Dúvidas”, e sua estrutura simples, porém eficaz, auxilia na organização e direcionamento de iniciativas, desde a fase de Discovery até o desenvolvimento e testes de protótipos.
A Matriz CSD, idealizada pelo brasileiro Luis Alt, especialista em Design de Serviços, é uma framework (estrutura) poderosa para o mapeamento e gerenciamento do conhecimento em projetos UX. Sua sigla significa “Certezas, Suposições e Dúvidas”, e sua estrutura simples, porém eficaz, auxilia na organização e direcionamento de iniciativas, desde a fase de Discovery até o desenvolvimento e testes de protótipos.
Estrutura da Matriz CSD
A matriz é composta por três colunas:
- Certezas:Abrangem os conhecimentos e informações já consolidadas sobre o projeto, como dados concretos, pesquisas de mercado e requisitos bem definidos
- Suposições: Incluem hipóteses e crenças sobre o público, o mercado e o comportamento dos usuários, que ainda não foram validadas
- Dúvidas: Englobam as perguntas e incertezas que permeiam o projeto, como pontos de atenção e áreas que demandam pesquisa e investigação

Autora via template de FigJam
Como usar a Matriz CSD?
1. Criando a Matriz:
- Utilize um quadro branco, uma folha de papel ou ferramentas digitais como o FigJam (recomendado por já ter template da matriz), Google Planilhas, Trello ou Miro
- Anote as informações em cada coluna de forma clara e concisa
- A forma fica a cargo de quem a está criando. Simplicidade ajuda: o foco deve estar nas informações
- Incentive a participação e colaboração da equipe
2. Preenchendo as Colunas
- Certezas:Inclua dados concretos, pesquisas e informações validadas. Essa coluna está pronta para embasar ideias com estruturas sólidas para o seu projeto
- Suposições: Identifique hipóteses e crenças que precisam ser validadas. Aqui cabe tudo o que “achamos” que sabemos ou que ainda não encontramos evidências. Essa coluna é essencial para gerar pontos de partida para pesquisas mais aprofundadas. Com base nessas investigações podemos validar a suposição e virar uma certeza (transferir para coluna de Certezas) ou ser descartada completamente (retirar do quadro)
- Dúvidas: Esse é o espaço para o que não sabemos e perguntas. Pode haver alguma dificuldade de separar dúvidas de suposições em um primeiro momento, mas a experiência com a técnica ajudará a perceber as nuances. A diferença é a seguinte: dúvidas dizem respeito a algo sobre o qual ainda não temos informações; suposições tratam-se de informações incompletas ou enviesadas por crenças
3. Evolução da Matriz
- A matriz é dinâmica e pode ser atualizada conforme o projeto avança, portanto, não a descarte assim que achar que finalizou, ela auxilia ao longo de todo o processo
- Suposições podem se tornar certezas ou dúvidas, e vice-versa
- Utilize essa flexibilidade para acompanhar o progresso do projeto e ajustar as estratégias

Cuidados durante o uso da Matriz CSD
- Reflita sobre os tópicos: a formulação da Matriz CSD requer honestidade e espírito crítico dos participantes do processo para que as anotações sejam, de fato, reconhecidas como suposições ao invés de certezas. É necessário embasamento para validar a colocação de na coluna das Certezas
- Itens podem mudar livremente de categoria: Gradualmente, durante o processo, um item que era uma dúvida pode se tornar uma suposição ou uma certeza, à medida que temos mais informações a respeito. Da mesma forma, o que é dado como uma certeza pode, no andamento da exploração, ser reconhecido apenas como suposição ou, na verdade, se transformar em dúvida
- Escreva apenas o necessário: Quando você é claro e conciso, o resultado é um conteúdo mais limpo e organizado, que facilita a leitura e a assimilação das ideias. Isso aumenta o engajamento da equipe, pois todos se sentem mais à vontade para participar e contribuir, evitando a dispersão e o cansaço. Além disso, a comunicação concisa otimiza o tempo da equipe, pois a informação é transmitida de forma mais direta e eficiente
E uma dica do próprio criador da Matriz CSD:
“Muitas vezes existem divergências de opiniões, e o que seria certeza acaba ficando em suposições até que se prove o contrário. O campo suposições, é, na verdade, uma grande área de escape, que evita discussões demoradas e inúteis e nos permite avançar na externalização das informações. O importante nesse caso é que tudo que foi discutido esteja no espaço compartilhado e que todos consigam visualizar tudo o que foi discutido ao final da reunião. Não é sobre se a ‘suposição’ deveria estar na ‘certeza’ ou qualquer outro tipo de discussão dessas, mas sim sobre ter a informação ali, disponível.” — Luis Alt, criador da Matriz CSD.

Benefícios da Matriz CSD
- Redução de riscos e incertezas:A matriz ajuda a identificar e mitigar riscos potenciais, garantindo um desenvolvimento mais seguro e eficiente
- Melhoria na tomada de decisões: As informações organizadas na matriz fornecem subsídios para decisões mais assertivas e estratégicas
- Aumento da eficiência e produtividade: A clareza e o foco proporcionados pela matriz otimizam o tempo e os recursos da equipe
- Foco nas necessidades do usuário: A matriz direciona o projeto para o que realmente importa, as necessidades e expectativas dos usuários

Exemplos de Aplicação
A Matriz CSD se destaca como uma ferramenta versátil e poderosa, capaz de agregar valor em diferentes etapas de um projeto. No Discovery, ela auxilia no mapeamento de informações relevantes sobre um problema, na definição precisa do problema central e na sugestão de soluções criativas e eficazes. Já na fase de Desenvolvimento, a matriz torna-se crucial para a priorização de features e funcionalidades, garantindo que o foco esteja direcionado aos aspectos que mais impactam o sucesso do produto. Por fim, durante a fase de Testes, a Matriz CSD facilita a identificação de pontos de atenção e oportunidades de aprimoramento, assegurando a entrega de um produto final de alta qualidade e que atenda às necessidades dos usuários.
Publicado originalmente no Medium da Menina de UX (abre em nova aba).
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